Poema – n° 394

quando a máquina do tempo

finalmente funcionou

aqueles dois cientistas ficaram tentados

a ajustar os ponteiros

sincronizar as vidas

corrigir todas as distorções

infelizmente

depois de todos os acertos

toda graça fora perdida

Poema – n° 392

éramos muitos

somos poucos

poucos em cada

grandes

únicos

poucos por fora

por dentro inúmeros

somos poucos

éramos tantos

em tantos arranjos

fomos perdidos

então nos achamos

eu fui

tu fostes

nós somos

hoje ainda

tantos de nós

em cada esquina

encontrados ao acaso

não nos reconhecemos

somos mínimos

antes infinitos

hoje poucos

amanhã quantos?

quantos se hão de lembrar

de onde vieram

quando muitos

ainda eram poucos

infinitos somos

por dentro

por fora

quantos?

Poema – n° 391

se penso que é isto

é aquilo

 

quando ando na via

é láctea

 

se olho pro céu

é noturno

 

se me perguntam pra onde vou

sigo meu rumo

 

o rio que vai quando volta

já foi

 

se me dizem “bom dia, como vai?”

respondo “oi”

 

a corda é do lado mais fraco

que desfia

 

o amanhecer traz escondido

o novo dia

 

na balança meu peso

não é por quilo

 

minhas lágrimas não são

de crocodilo

 

 

Poema – n° 390

ficou vazio

porque encheu demais

de tanto ter nada

que transbordou

deu volta completa

e nunca voltou

 

saiu pra aonde ía

mas nunca chegou

já foi colorido

descoloriu

quando me olhou

mal disfarçou

mas não riu

 

um dia alto

noutro dia baixo

correu pra um lado

e nesse lado ficou

quando era ontem

disse que voltava

quando virou hoje

ninguém chegou